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Integração entre instituições viabiliza nova ala LGBTQIAPN+ no Presídio do Roger
22 de outubro de 2026

Fotos: Conselho da Comunidade JP
A Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida como Presídio do Roger, em João Pessoa, passou a contar com uma nova ala destinada à população LGBTQIAPN+.
A construção foi possível por meio da integração entre a Polícia Penal da Paraíba, a Vara de Execução Penal de João Pessoa, a Universal nos Presídios (UNP) e a Construtora Monte Sinai Ltda., reunindo esforços do poder público, do sistema de Justiça, de instituição religiosa e da iniciativa privada.
Durante a solenidade, a juíza da Vara de Execução Penal de João Pessoa, Andréa Arcoverde Cavalcanti Vaz, agradeceu às instituições e aos profissionais envolvidos e destacou a importância de assegurar condições compatíveis com a dignidade das pessoas privadas de liberdade.
“Garantir condições adequadas, segurança e respeito às particularidades de cada pessoa não constitui privilégio, mas o cumprimento de um dever institucional. Essa entrega demonstra o que podemos construir quando diferentes instituições trabalham de forma integrada.”

Representando a Universal nos Presídios, o bispo Miguel Soares da Silva ressaltou a contribuição da assistência religiosa e espiritual para o processo de ressocialização e para a reconstrução de trajetórias.
“A instituição religiosa leva acolhimento, escuta, fé e esperança. A ressocialização também passa pela reconstrução interior e pela possibilidade de a pessoa acreditar que sua história pode recomeçar.”

Os diretores da unidade, Gleyson Rogério Martins de Oliveira e Raul de Carvalho Caldas, destacaram o trabalho realizado pelos policiais penais, servidores e parceiros que contribuíram para a concretização do espaço. Segundo eles, a nova estrutura representa também um avanço na organização da unidade, conciliando segurança, proteção e melhores condições para o cumprimento da pena.
O presidente do Conselho da Comunidade da Comarca de João Pessoa, Thiago Robson, lembrou, em sua fala, uma reflexão surgida a partir de uma pergunta feita por seu filho, de oito anos, sobre as condições existentes no sistema prisional. Para ele, a perplexidade de uma criança diante dessas realidades também deve provocar a reflexão dos adultos.
“Talvez o problema comece quando deixamos de nos surpreender com aquilo que nunca deveria parecer normal. Momentos como este representam um lampejo de esperança, porque reconhecer as diferenças não significa privilégios, mas garantir que nenhuma pessoa seja invisibilizada.”

A inauguração da nova ala demonstra que segurança, dignidade e garantia de direitos podem caminhar de forma conjunta. Mais do que a entrega de uma estrutura física, a iniciativa evidencia a importância da cooperação entre o Judiciário, a Polícia Penal, instituições religiosas, iniciativa privada e sociedade civil para o aprimoramento da execução penal.

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